No último dia 12 de março, bati um papo com o Rafael Camilo, apresentador do Holdercast, sobre os desafios da construção de reputação feminina. Rendeu tanto assunto que eu resolvi escrever sobre o tema e dividir com os leitores em dois artigos.
Mas vamos “começar do começo” e falar um pouco sobre reputação no geral.
O que é reputação?
Reputação é a avaliação social de uma pessoa, marca ou grupo — é como os outros os veem, percebem e falam sobre eles. Dificilmente ela é unânime. Apesar de ser possível orientar a construção de reputação, sua validação vem sempre do olhar externo. E isso pode ser frustrante em alguns momentos.
É possível ter controle na construção dessa reputação?
Hoje, a construção de reputação acontece em um terreno extremamente frágil: redes sociais onipresentes, vigilância constante, facilidade de checagem de fatos, julgamentos acelerados, cancelamentos, fake news e, agora, inteligência artificial.
Por isso, nenhuma pessoa ou marca pode deixar que sua reputação seja formada sem direção. Embora seja um trabalho integrado, a comunicação é uma das principais avenidas de construção dessa imagem — e é nela que focamos neste artigo.
Por que nos preocupamos tanto com a reputação?
O comportamento humano em relação à reputação não mudou tanto assim. Sempre falamos sobre a vida do outro, mostramos fotos, compartilhamos histórias. A diferença é que a tecnologia amplificou tudo isso para uma escala gigantesca.
E quando observo mais a vida do outro, sei que o outro também observa mais a minha. Essa dinâmica aumenta a preocupação com crises de imagem e torna a construção de reputação ainda mais estratégica.
Afinal, como ter uma boa construção da reputação por meio da comunicação?
Eu costumo trabalhar com os 4 Cs:
1. Conteúdo relevante
A construção de reputação passa pela produção de conteúdo que ajude o público a tomar melhores decisões e que contribua para o debate público. Em tempos de fake news, esse conteúdo precisa ser verdadeiro, claro e capaz de trazer novas perspectivas.
2. Constância
Ninguém constrói reputação aparecendo de vez em quando. A comunicação precisa manter a marca presente, para transformar conhecimento em consideração — e isso só acontece com narrativas consistentes.
3. Coerência
Não basta dizer que é. É preciso ser. Em um cenário tão frágil, é fácil desmascarar uma marca incoerente. Construir reputação exige tempo, estratégia e ajustes alinhados aos objetivos.
4. Conexão
Sem conexão, não há reputação. Marcas precisam se conectar com seu propósito e com seu público. Caso contrário, sua reputação vira apenas uma declaração não validada — e sem defensores, ela não se sustenta.
Por que é mais difícil para mulheres a construção da reputação?
Se reputação é avaliação social, então mulheres enfrentam um processo ainda mais complexo. Somos um gênero constantemente observado, filtrado e validado historicamente por olhares masculinos — uma dinâmica de poder que torna todo caminho mais difícil.
Mas isso é assunto para o artigo da próxima semana!
Kadydja Albuquerque é jornalista e sócia do Conversa Estratégias de Comunicação Integrada.



