“O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano.” A frase de Isaac Newton tem séculos, mas permanece atual. Hoje, esse oceano cresce exponencialmente, e isso reforça a importância da curiosidade como ferramenta profissional. Embora Newton falasse sobre ciência, a reflexão funciona perfeitamente para o que trago aqui.
Desde o início do ano, tenho lido pouco sobre temas ligados às minhas carreiras de empresária e comunicadora. Tenho me sentido mais atraída por assuntos diversos — de biografias de mulheres fortes à astronomia. E essa variedade tem ampliado minha produtividade, minha criatividade e até minha sociabilidade. É justamente aí que percebo como a curiosidade como ferramenta profissional transforma nossa forma de aprender.
Meu livro atual é a biografia de Viola Davis. Forte, honesto e visceral, ele faz as imagens quase saltarem das páginas. Não é só sobre uma atriz bem-sucedida. É sobre uma mulher que enfrentou a invisibilidade, venceu o destino imposto e segue buscando a si mesma.
Aí surge a pergunta: como um livro assim contribui para a minha formação profissional? Essa reflexão tem me acompanhado. Afinal, tenho estudado menos minhas áreas de atuação. Isso gera uma certa autocobrança: como seguir sendo boa profissional sem estudar exatamente o que exerço? Este texto não é um convite para que você pare de estudar — por favor, não faça isso! É, sim, uma provocação para quem limita o próprio conhecimento apenas ao universo da profissão.
A busca por conhecimentos diversos conecta as pessoas
Em um mundo tão competitivo, o ativo social é um dos bens mais valiosos. Quem domina o networking sabe que as relações não começam com uma venda direta. Elas começam com afinidades. Se você só domina sua área, pode ser difícil sustentar conversas sobre outros temas. Por isso, a curiosidade como ferramenta profissional também fortalece vínculos e cria pontos de conexão reais.
Estar antenado estimula a criatividade
Austin Kleon, autor de Roube como um artista, diz que a criatividade está em toda parte — e é verdade. Tudo pode inspirar: pessoas na rua, um panfleto no semáforo, um livro sobre mitologia grega, um podcast sobre astrologia ou uma música que marcou sua adolescência. Quanto mais repertório você tem, mais sua criatividade flui.
Conhece-te a ti mesmo por meio das histórias do mundo
Explorar diferentes saberes nos conecta às nossas próprias histórias. Quem nunca suspeitou de uma traição? Quem já achou que morreria de amores? Quem nunca quis sair pedindo carona e conhecendo novos lugares? A diversidade de mundos — reais ou imaginados — provoca autorreflexão. Assim, você começa a pensar: já senti isso? Reagiria igual? O que posso aplicar na minha vida?
Enxergar o outro por meio da diversidade de pensamento
Deixei para o final o ponto que considero essencial em tempos de intolerância: conhecimento aproxima. Ele acolhe, propõe e constrói pontes. Já a ignorância afasta, julga e fere. Por isso, ampliar repertório é também um ato de cuidado. A curiosidade como ferramenta profissional e pessoal melhora relações e suaviza o mundo.
Moral da história
Quanto mais curiosa uma pessoa é, mais interessante ela se torna — e melhor vive. E, sim, o mundo também melhora quando conhecemos mais.
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Kadydja Albuquerque é jornalista e sócia do Conversa Estratégias de Comunicação Integrada



