Festivais, shows, viagens, restaurantes… A vida nos oferece inúmeros momentos únicos. Mas, na dinâmica atual da internet, surge um questionamento importante: será que a validação nas redes sociais está fazendo com que a gente deixe de viver essas experiências com a intensidade que elas merecem?
Há relatos de pessoas que vão a shows e não conseguem ver o artista — às vezes nem o palco. A plateia passa grande parte do tempo com celulares erguidos, gravando vídeos que muitas vezes serão raramente revisitados.
Outra situação comum virou até piada entre produtores de conteúdo: a clássica cena de estar em um restaurante e não poder tocar na comida até que alguém faça fotos, vídeos ou reels. A refeição vira cenário — e a experiência real, espera.
É inegável que celulares e redes sociais se tornaram parte da rotina. Elas funcionam quase como uma segunda vida onde sentimos necessidade de mostrar o que estamos fazendo — desde um copo de cerveja no boteco até uma viagem internacional. Mas qual é a finalidade disso tudo?
Será que queremos realmente registrar memórias? Ou estamos buscando que os outros validem o que vivemos? Estamos compartilhando para nós ou para provar algo a alguém?
O fato é que muitas vezes deixamos de viver uma experiência em sua totalidade porque estamos mais preocupados em compartilhá-la em tempo real. Isso não está errado — de forma alguma. Mas é um ponto de reflexão: uma abertura de show, por exemplo, poderia se tornar uma memória mais marcante se mergulhássemos nela sem filtros, sem telas.
Casos recentes reforçam esse debate. O cantor Manuel Turizo se irritou com a quantidade de celulares e chegou a dizer no palco: “Curtam a festa. Guardem seus celulares, senão não canto nada.”
A banda Coldplay, durante A Sky Full Of Stars, também pede que todos guardem os celulares para simplesmente viver o momento.
No Brasil, os shows do The Weeknd geraram inúmeras reclamações nas redes. Muitos alegaram não conseguir assistir ao espetáculo devido ao mar de celulares à frente. Outros disseram ter visto quase tudo através de telas alheias.
As opiniões, claro, dividiram a internet. Há os que acreditam que quem paga ingresso pode filmar o quanto quiser. Outros defendem que gravações constantes prejudicam a experiência de quem só quer curtir.
No fim, as experiências existem para serem vividas — cada um à sua maneira. Mas é preciso lembrar que raramente vivemos algo sozinhos. Mesmo em momentos individuais, há um conjunto de pessoas ao redor que também deseja aproveitar.
Por isso, vale o questionamento final: estamos realmente registrando memórias ou apenas buscando validação nas redes sociais?
José Henrique é publicitário e Coordenador de Comunicação, Eventos e Comunidade do Conversa.



